domingo, 19 de julho de 2009

A serial killer de depiladoras


Se tem uma coisa que irrita mulher é o tal do pêlo. Coisinha pequena, chatinha, irritante, feiosa e que causa um incômodo inversamente proporcional ao seu tamanho. Aí acontece o seguinte: tirar pêlo da sobrancelha, tirar pêlo das axilas, tirar pêlos das pernas, coxas, virilha, tirar o “bigodinho”... Eu fico pensando “Meu Deus, por que a gente já não nasce sem pêlos nesses lugares?”.

Deve ser um dos nossos karmas, passar a vida arrancando pêlos. Pelo menos (“pelo menos” adoroooo ahahahahah) a gente dá emprego a depiladoras. Eu nunca vi uma que tivesse uma agenda vazia. Está sempre cheia, tem sempre fila. Hoje eu não freqüento mais (eu faço em casa tá gente?!), mas me lembro a primeira vez em que fui.
Mocinha, idade chegando, sempre vem a mãe da gente e diz “filha, está na hora”. Tipo o primeiro absorvente, ou o primeiro sutiã. Aí ela te leva em uma depiladora de confiança, que vai saber te tranqüilizar e que tem uma cera quente maravilhosa, de preferência com mel.

Gente. A primeira virilha depilada ninguém esquece. Primeiro porque dói pra burroooooo! Dá vontade de gritar – e tem gente que grita, muito. E, segundo, porque você, mocinha, fica em posições que só a sua ginecologista tinha te visto antes. Aí vem uma mulher que você nunca viu na vida, te mete a mão, te lambuza com aquela cera melequenta, e puxa tudo, parecendo que parte da sua alma foi junto com aqueles pêlos. ‘Pelo’ Amor de Deus.

Mas, como tudo na vida, você se acostuma. Afinal, tudo tem preço, e ficar bonitinha custa horrores. Eu, graças, fujo das desconhecidas me arreganhando e faço tudo sozinha em casa. Abandonei aqueles ambientes traumáticos de quartos de depilação. Quanto baixo astral tem por ali? Quanto gritos, gemidos de dor? Quanta ‘coisa feia’ aquelas depiladoras já não viram e tiveram que passar a mão. Ah, não. Não, não. Em especial, vez e outra em que retorno a esses ambientes, não consigo deixar de lembrar de um fato.

Certa vez, há muito tempo, quase uma mocinha, rs, uma amiga veio me contar uma história. Desesperada. Ela se fechou no quarto comigo. Os olhos assustados, as palavras receosas. Ela disse que precisava desabafar, contar uma coisa, mas estava com vergonha. Ela era do tipo muito pudica, resguardada, recatada e toda sorte de adjetivos afins que você imaginar. Muito mesmo.

Apesar de tudo isso, ela foi enfrentar uma depiladora. Foi sozinha, sem contar para ninguém, depilar a virilha. E ela me contou tudo depois. Chegando sua vez de ser atendida, ela deitou-se na maca para o procedimento. A depiladora grande, gorda e insensível pediu-lhe para arrancar a calça. Ela arrancou e ficou ali, de calcinha, alva e casta, esperando o serviço, apreensiva.

De repente, a mulher lhe puxou a calcinha, toda, até os joelhos. A menina quis morrer. Parecia que estava do avesso. Cera de um lado, grito contido de outro, pinça finalizando, bla bla bla.. Aquele procedimento que todas nós conhecemos. E a pura e casta amiga lá, de perninhas trancadas e dedos gelados.

Quando o pesadelo parecia haver terminado, a monstruosa depiladora disse “Minha fia, você quer que ‘cava’ mais?”. A menina não entendeu bem o que a depiladora queria dizer, mas se ela estava dizendo, deveria ser porque precisava, não era mesmo? Sem querer contrariar, ela disse, em palavras miúdas, quase sumindo no ar, “sim, pode cavar mais”.

Então a mulher pediu que ela ficasse de quatro na maca. Ahhhh! Que pesadelo! Ela me contou que parecia que todo o seu sangue havia subido para a cabeça e ela sentia uma vermelhidão e um formigamento por toda a face. Vergonha. Medo. Tensão. Socorrooooo! De novo, vontade de sair correndo, mas a vergonha a paralisou, a petrificou, e ela nada pôde fazer além de atender aquela megera com uma espátula lambrecada na mão. Ficou de quatro.

Pois bem, posicionada, vocês já sabem o que aconteceu. Nádegas a declarar, rs. Ela tomou naquele lugar – sem perdão pelo trocadilho, rs. Minha amiga ficou horrorizada, sua cabeça parecia latejar de vergonha me contando aquilo e ela disse que jamais passara por situação tão constrangedora em toda sua virtuosa vida.

Sinceramente, temo por ela. Não a vejo há anos, desde algum tempo depois que o fato ocorreu. Não tive mais notícias. De repente, ela pode ter sumido e virado naturalista, vive em uma praia nudista e não se depila. Ou continua na cidade, seguidora da Vera Fischer. Ou, quem sabe, transformou-se em uma serial killer de depiladoras.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

TPM



Descrição da Patologia e Nomenclatura Aplicada:

Tá Porra Mermãoooooo!”
Tudo Porcaria Mesmo!”
Tranqueira, Palhaço, Malditoooooo!”
Truculenta, Perigosa e Malvada”

Essas são apenas algumas das interpretações possíveis para um mal que toma conta das mulheres periodicamente, que é a TPM (Tensão da Puta-que-pariu Mequetrefre-de-uma-figa, ou simplesmente Tensão Pré-Menstrual [vulgarmente conhecida também como “empata-foda”]).

Essa Tremenda Porcaria Maldita acontece todo mês, nos dias que antecedem a menstruação. Na verdade, a palavra “Pré”, que faz parte da sigla, é apenas um eufemismo idiota que inventaram para que nós, mulheres, nos sentíssemos um pouco mais confortáveis, achando que, junto com o sangue, os problemas fossem embora também.

O que ocorre, no entanto, é que nada passa. Os incômodos absorventes passam a ser apenas mais um problema, em meios aos “pres” problemas. Uma chatice. De fato, analisa-se que a TPM tem uma segunda vertente: a TDM (Tensão Desgraçada de Merda [ou Tensão Durante Menstruação]). Em alguns casos mais crônicos, a TDM também é chamada de “Te Desço a Mão!”.


Sintomas e Efeitos Colaterais

Os sintomas são bastante variáveis de uma mulher para outra, embora qualquer ser humano em estado normal de equilíbrio possa identificar a patologia em alguns minutos. Os sintomas iniciais costumam ser dor de cabeça e dor nas costas. Às vezes tão fortes, que parece que você apanhou de alguém. É destes sintomas que surge a agressividade. Como você acha que alguém te espancou, quer revidar. É apenas justiça.

Grande parte das mulheres sofre de cólica. Eu não vou entrar muito nesse assunto, porque eu não tenho cólica (aviso: já estou com arruda por toda parte, e pingentes e mais pingentes de pimenta, olho turco e tudo mais. Sua inveja não vai grudar em mim! [ahahahaha]). Mas, quem tiver um depoimento tocante sobre o assunto, pode deixar por comentário, por favor.

A mulher, quando menstruada, fica sangrando algo entre 3 e 7 dias. Isso gera uma série de efeitos colaterais. O principal deles é a influência sobre o psicológico. Me respondam: qual é o animal, por toda a face terrestre, que sangra por 7 dias, ininterruptamente, e não morre??? Não existe. Só nós, mulheres. Portanto, é difícil acreditar que a gente vai conseguir chegar ao fim de mais uma menstruação. Então, com o pezinho na cova, a gente fica sensível, faz tempestades em copo d’água, chora com comercial de margarina, fica triste se quebra a unha, quer se matar se alguém grita com você...essas coisinhas. Bastante justificável.

Outro lance complicado neste ponto, de achar que vai morrer de tanto colocar sangue para fora, é que você quer comer tudo de uma vez. Não quer partir para o mundo imaterial sem provar umas últimas guloseimas deste mundo. Aí o bicho pega... Não sei como é estar grávida, mas quando menstruada, eu tenho desejos e mais desejos com comida. E tem que ter gordura, tem que ser gordo, muito gordo! ( e tem que ser muito).

Normalmente a mulher já fica inchada no período. Aí ela come que nem uma vaca, e fica pior ainda. A pele fica horrível, enche de cravinhos e espinhas. Soma-se a isso à “síndrome do vou morrer”, e pronto, uma bomba na auto-estima. Nenhuma roupa serve, nada fica bonito e nada funciona.

Além do mais (gente, sim, ainda tem mais!) têm os gastos todos do período: absorventes, máscaras faciais, remédios para cólica e dor de cabeça, desejos alimentares e outros. Um rombo no orçamento.

Tratamento

Não tem tratamento. Não tem cura. (É que nem gripe: às vezes consegue-se aliviar uns sintomas, rs).


Indicações

Mulheres: Você não está sozinha no mundo. E você não vai morrer, acredite. Use a filosofia do “só por hoje”.

Homens: Usem com moderação (e paciência).

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Té a Próxima Mulherada!!!

terça-feira, 12 de maio de 2009

A importância da máquina de lavar na evolução feminina


A máquina de lavar foi e continua sendo um marco na história da evolução feminina! Acredito que toda mulher tem sua trajetória definida entre “a.M” e “d.M”, que nem as datas antes e depois do filho do Homem. Aliás, máquina de lavar só pode ser coisa de Deus! Coisa linda!

Se você é uma mulher que nasceu em berço de ouro e uma bem paga funcionária lavava suas fraldas, esqueça esse texto, não vai lhe fazer sentido. Mas, se não, pergunte a sua mãe como ela lava suas roupinhas cheinhas de...

Bom, merda à parte, quero lhes contar como foi a minha primeira máquina de lavar. Eu morava sozinha, numa kitinet, com aquelas áreas de serviço ínfimas com um tanquezinho minúsculo. Um lençol incomodava, minha gente. Dois lençóis incomodavam muito mais. Dois lençóis e uma calça jeans incomodavam incomodavam incomodavam muito mais. Era um martírio, o mármore do inferno.

Meus tempos de folga eram, em parte, transformados em cálculos milimétricos de roupas a serem lavadas. Dia de lençol e jeans era pior que primeiro dia de menstruação. O sabão roia os dedos, a água amolecia as unhas. Não existe produto de lavar roupa da Victoria’s Secret, uma pena. As noites à beira do tanque eram frias, solitárias e molhadas.

Até que um dia eu ganhei uma máquina de lavar, a sonhada máquina de lavar! Parecia que haviam aberto as portas da esperança pra mim, com o eletrodoméstico em um palco giratório todo iluminado e o Silvio Santos do lado.

Que felicidade! A partir daquele dia, minha vida social melhorou muito. Eu não precisava mais recusar convites pra sair porque o cesto de roupas sujas estava cheio. Eu descobri que ter hora livre é um máximo e me deparei com um universo de coisas novas a desvendar.

Hoje eu coloco oito quilos de roupa lá, jogo sabão de um lado da gavetinha, amaciante do outro, seleciono o programa desejado (gente, é incrível, tem pra roupa colorida, roupa delicada, roupa pesada, limpeza rápida, demorada... a máquina sabe melhor que eu o que fazer com tudo!) e pronto, tenho um intervalo super legal até ter que estender a roupa no varal (alguém já inventou uma máquina que faça essa parte?).

Eu fiz mais amigos, aprendi a diferenciar os tipos de cerveja, passei a assinar mais revistas, minhas mãos voltaram a ser delicadas, perdi a vergonha das unhas mal feitas, aumentei o número de contatos do msn, passei a ler mais, ver mais televisão...Até criei um blog, vejam só!

Esse é meu depoimento sincero sobre a importância da máquina de lavar na minha evolução como mulher. Tive tempo, também, para começar a fazer outras coisas (como limpar debaixo dos móveis hahahahah). Ok, tive mais tempo para a vida, um pouquinho mais, porém importante.
Bom, já ouvi o barulho. Vou estender a roupa e volto já. A máquina fez todo o serviço, e eu aqui, escrevendo esse texto. Que maravilha. Aproveite a redução do IPI e adquira já a sua também, rs.